3 de dezembro de 2010

O Esplêndido rio Chico


“A beleza pode ser vista em todas as coisas, ver e compor a beleza é o que separa a simples imagem da fotografia”.

OS FILHOS DO VELHO CHICO





Quem somos?
  A mostra fotográfica intitulada Os Filhos do Velho Chico,trata-
- se de um registro sobre vidas que são unidas por um ponto em comum, o São Francisco, mostrando a forma com a qual a população interage com ele, e qual a sua importância naquele local.


Qual o estilo usado na fotografia?
 O estilo fotodocumental me pareceu, então, o mais apropriado para construir as fotografias, já que foi preciso ir além do simples retrato de pessoas que por ali viviam. Conheci cada personagem, ouvi histórias, entrei em sua intimidade e descobri o que cada uma tinha em comum com os outros possíveis personagens, já que seriam “filhos do Velho Chico”, algo em comum deveria unir estas pessoas. Portanto, privilegiei os aspectos sentimentais, não tendo como preocupação principal uma contextualização histórica, geográfica e temporal. O interesse foi entender na alma dos personagens a impressão individual que cada um carrega sobre o Velho Chico, e acredito que isso se expressa fortemente através de tons e gestos, que cada personagem ressalta em cada imagem.

Prioridades
 Durante as fotografias, a prioridade foi enfatizar as feições, os detalhes e os gestos que traduzem quem são estes personagens.
     Ao retratar o rio priorizei por exaltar o quão magnífico é um fim de tarde no seu deleite, seu aspecto mágico, enfocando as suas várias nuances de cor contrastando com a paisagem que lhe margeia, construindo uma estética harmônica com sentimento presente nos depoimentos dos ribeirinhos.
           
Construção da mostra fotográfica.

          Na construção dos textos que acompanham as fotografias, eu opinei por deixar de lado o modelo baseado apenas nos perfis e montar o fotodocumentário de acordo com as falas dos diversos personagens, usando como ligação o próprio rio São Francisco. Para auxiliar o processo de construção e montagem, foi planejado um roteiro após a primeira ida a cidade de Xique-Xique, onde selecionei algumas imagens, conheci algumas pessoas e escolhi qual destes personagens mais caracterizava o perfil do sertanejo ribeirinho, em seus costumes, modo de vida e elo com o rio.

Espectativas
  A minha expectativa pessoal é de que cada fotografia consiga transmitir no espectador o sentimento de respeito e admiração pela vida destas pessoas na sua relação com o São Francisco: um sentimento que se expressa na forma como cada personagem gesticula, e na alegria e amor com a qual ela é mantida, rompendo apenas a dependência física, e partindo ao encanto afetivo que emociona a quem se depara com esse universo pela primeira vez, ou quem o redescobre depois de muitas idas

As lavadeiras de roupa

.



Elas levantam com o sol raiar. Arrumam a trouxa de roupa na cabeça, e se dirigem as margens do “Velho Chico”. São mulheres que se iniciaram na profissão ainda criança, muitas delas nascidas e criadas nos arredores do rio, e que respeitam o local porque consideram um lugar sagrado permeado por lendas, crendices e mitos. Além de ser a única forma de sustento de famílias que vivem e sobrevivem exclusivamente pelo rio São Francisco, seja na pesca, na tecelagem, fabricação de potes e moringas com a argila retirada do rio, no frete das embarcações que trafegam as águas franciscanas no escoamento da produção agrícola, na venda de gado e claro na lavagem de roupas, que faz parte da vidas destas mulheres não somente por tradição, mas também por profissão.

13 de novembro de 2010

O fotodocumentário


 Fotografia, fotodocumentário, Rio São Francisco e a comunidade ribeirinha de nome Xique- Xique. Estes foram os caminhos que nossa fotografia documental percorreu em busca dos melhores ângulos e do apronfudamento do fotojornalismo , tudo isso para te fazer refletir:
Uma fotografia vale mais que mil palavras?”

10 de novembro de 2010

Em 1 minuto

video


Cinegrafia: Edson Nogueira
Fotografias: Poly Pinheiro

25 de outubro de 2010

Coragem



"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
( João Guimarães Rosa)



12 de outubro de 2010

O "mito"



 Quem é ele?
Dom Luíz Flávio Cappio-  E uma vida pelo Rio São Francisco
Filho mais novo de uma família de origem italiana, é formado em Economia, apesar de na sua juventude ter desejado ser engenheiro. Fez seus estudos teológicos no Seminário Franciscano de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. Foi ordenado padre em 1971. Trabalhou por três anos na periferia da cidade de São Paulo pela Pastoral Operária. Em 1974, partiu para o semi-árido nordestino com a roupa do corpo. Desde então, o bispo vive no sertão nordestino.
 Sua biografia mostra uma forte ligação com São Francisco de Assis: dom Luís Cappio nasceu no dia em que a Igreja Católica celebra este santo, tornou-se religioso da ordem Franciscana, e foi viver às margens do rio São Francisco. Em 1992, ao completar 48 anos, iniciou uma peregrinação de 6 mil quilômetros da nascente até a foz do Rio São Francisco. Esta peregrinação durou um ano. Este período foi vivido por Dom Luís Cappio como uma missão ecológica e religiosa, durante a qual o frei buscou conscientizar a população sobre a necessidade de preservação do Rio São Francisco. A experiência foi publicada no livro “O Rio São Francisco – Uma Caminhada entre Vida e Morte”, pela Editora Vozes. Tornou-se bispo da Diocese de Barra em 1997, escolhido por não haver outro que se dispusesse a viver na região.
 Entre 26 de setembro e 5 de outubro de 2005, fez uma greve de fome em defesa do rio São Francisco na cidade de Cabrobó, estado de Pernambuco. Seu protesto era a favor da revitalização do rio e contra o projeto de transposição do Rio São Francisco planejado pelo governo do presidente Lula. Esta manifestação ganhou o apoio de diversas organizações e movimentos sociais. O jejum foi interrompido após negociação com o então ministro Jacques Wagner. Feito o acordo, frei Cappio comentou que se a promessa não fosse cumprida, retomaria o protesto.
E no gesto de maior notoriedade contrária à mudança do curso natural do São Francisco, o bispo Dom Frei Luiz Cappio voltou às atenções do Brasil e do mundo, quando ele realizou uma greve de fome que durou 11 dias, entre final de setembro e início de outubro de 2005, denunciado e protestando contra o projeto de transposição de parte das águas do Rio São Francisco e em defesa a sua revitalização. Ato, este que levou a pesquisadores e a população brasileira em geral a tomar conhecimento e a pensar nos dois projetos governamentais para o rio e regiões que atravessa: a transposição e a revitalização do São Francisco. Cantado em rezas, homenageado em letras de músicas e nas artes em geral, o rio São Francisco, que nas palavras do Frei Luiz: “há muito deixou de ser um acidente geográfico e passou a ser a condição de vida para todo o povo da região.
 



7 de outubro de 2010

Um misto de sensações

                                                    

Cada personagem fotografado, cada um com sua essência, simplicidade e gestos de carinho, me conquistaram de uma maneira singular e inesquecível. O projeto chega perto do fim, e a certeza que ainda tenho muito o que trilhar...

2 de outubro de 2010

Garimpando personagens


Hoje encontrei uma preciosidade de pessoa, e digna de ser FILHA do Velho Chico, mesmo que a sua relação não seja tão direta assim com o rio. Mas ela representa bem, parte da cultura ribeirinha, principalmente no aspecto religiosidade, fé e cura.
Ela é a benzedeira, ainda que de uma forma diferente do habitual, já que os tradicionais galhos de árvores não são usados como instrumento de reza por Dona Dejanira. Ela  cura mau olhado, dores de cabeça, afasta as más energias e todo e qualquer mau que assole quem vai até ela. Tudo isso com uma garrafinha de água , uma oração forte e muita fé em Deus.

                             

28 de setembro de 2010

Em andamento...


(...) Andá  com fé eu vou, que a fé não costuma faiá...

20 de setembro de 2010

As famosas casas de taipa do sertão


De uma beleza inquestionável, feita manualmente com o barro retirado do Rio São Francisco. As famosas casas de taipa, são moradas de muitos ribeirinhos, que vivem a mercê da pobreza que assola o sertão.Mas apesar de tudo, a alegria. E o sertanejo consegue preservar uma cultura própria, onde prevalece as marcas das variedades culturais.


                             Foto: Poly Pinheiro/Ilha da Esperança

19 de setembro de 2010

Bastidores



Depois de um tour pela cidade de Xique- Xique em busca dos meus personagens mais ilustres e compor alguns perfils dos Filhos do Velho Chico, eis que a prefeitura nos cedeu uma das suas embarcações. E foi na Nova Juacema- que chegamos até a Ilha da Esperança,onde encontramos o nosso pescador. Sr. Ney Elias, seus causos, sorrisos e muita gargalhada.


9 de setembro de 2010

Um mar de doçura

                    

O universo ribeirinho do Velho Chico é um mar de doçura e descobertas incríveis, que eu tenho o prazer de mergulhar.

29 de agosto de 2010

O sertanejo



Vivendo na caatinga, um ambiente castigado pela escassez de chuvas e aridez, o sertanejo é um bravo homem da terra. Poucas civilizações no mundo conseguiriam alcançar o feito dessa gente corajosa. O sertão, com seus ventos bíblicos, calmarias pesadas e noites frias, impressiona. Cortado por veredas e árvores retorcidas em desespero, todo ele são monótonos caminhos ressequidos. As “pueiras”, lagoas mortas, de aspecto lúgubre, são o único oásis do sertanejo.

Fonte: Brasil Cultura

20 de julho de 2010

Missionários da Paz evangelizando no Sertão


A paróquia do Senhor do Bonfim, na cidade de Xique- Xique, deu início no dia 19 de julho  ao trabalho missionário, de levar JESUS CRISTO aos lares das pessoas. AS SANTAS MISSÕES POPULARES, nome como é conhecido, acontece até o dia 25 de julho e tem o intuíto de visitar as comunidades ribeirinhas e evangelizar seu povo. O tema escolhido este ano foi "Anunciaremos teu Reino, Senhor, de justiça e paz!" e foi escolhido devido a cidade ter vivido um período violência, onde várias vidas foram perdidas de forma brutal e desnecessária.
As preparações para as missões tiveram inicio em janeiro ,onde seus missionários visitaram  25 comunidades no meio rural, e 9 no meio urbano, fazendo o levantamento do número de famílias que habitam cada comunidade . Ao final das pré missões foram contabilizados o número de católicos residentes em todo o município de Xique-xique e foi feito o preparo das  famílias para o início das visitas missionárias que acontece neste periodo de julho.

A abertura das Missões, aconteceu na Igreja Matriz do Senhor do Bonfim, na sede do município. E contou com a presença dos padres da paróquia local, do Frei Luiz Flávio Cappio, arcebispo da arquidiocese de Barra- Ba,  e outros padres e missionários vindos de outros estados e países, contabilizando uma média de 300 missionários engajados, no movimento de evangelização do povo Xique Xiquense.
As missões retornarão ao município apenas em 2025, mas esperamos que até lá a semente da Paz plantada agora, possa germinar e render frutos em todos os lares por onde os missionários passaram.
Lembramos, que em 2011 a cidade agraciada pela visita dos missionários da paz, será a cidade de Morpará- Bahia.

Fotografia : Edson Nogueira

15 de julho de 2010

Um pintor pelas inspirações do Velho Chico

E a cada novo mergulho, uma nova descoberta, um novo prazer e contentamento por conhecer tantas figuras ilustres e talentosas que vivem e sobrevivem as margens do Velho Chico.

Quem é ele?
José Fernando de Oliveira Queiroz, 36 anos e é natural da cidade de Barra - BA.
Profissão: Artista- Pintor

"É difícil falar de nós mesmo, mas sou uma pessoa que sempre procura entender o próximo"
Fernando Queiroz 

ENTREVISTA:

Poly- Como e quando surgiu seu interesse pela pintura? 
Fernando- Como todos os artistas desde criança já amava o desenho a pintura já sonhava com paisagens

Poly- Você acha que seu trabalho tem o valor que merece?
Fernando- O valor começa com o próprio artista ele tem que passar essa convicção claro reconhecendo suas limitações eu posso falar que graças a Deus que estou sendo valorizado com meu trabalho

Poly- Qual a sua inspiração para as suas produções artística?
Fernando- Meus temas são inspirados em cenas reais a vida do povo ribeirinho e seu modo de vida e costumes,lavadeiras, pescadores e demais cenas que mostram vida do homem do sertão.Eu procuro no meu trabalho, mostrar aspectos simples da vida humana. Meus personagens demonstram, que apesar das dificuldades inerentes a existência, a vida continua. Renoir disse um dia que a vida já tinha muita coisa horrível pra serem mostradas. Eu me apego a esta verdade eu acho que a arte é pra dar conforto e esperança as pessoas. "

Poly- Quanto custa em média seus quadros
Fernando- Depende do tamanho e da composição os valores variam muito.

Poly- Qual a sua obra de maior orgulho até hoje?
Fernando- Tem varias, mas posso citar entre elas as telas Raízes, fim da temporada de pesca, Fim de tarde, O barquinho, pesca farta, Os ciganos ...

Poly- Seus anseios para o futuro
Fernando-Ver meu trabalho em grandes galerias e sendo valorizado entre os marchands, pois isso é o objetivo de quase todo artista.

Poly- Onde já expôs seu trabalho até hoje
Fernando- Em pequenas galerias em Salvador exposição no banco do Brasil em algumas cidades do interior da Bahia e em uma revista dedicada a pintura

Poly- Qual a técnica que vc usa pra pintar?
Fernando- È pincelada solta toques rápidos pintura que funciona se olhada a certa distância, ou seja, Impressionismo puro!

Poly- Fernando Queiroz, tem Ídolos?
Fernando-Vários o Impressionismo Francês, Monet,Pissarro,Sysley a Escola de Barbizon e pintores como Emile Gruppé,Dan Gerhartz,Foster Caddel,Scott Burdick,Paul Strisik alista é enorme...




Mais sobre Fernando Queiroz e seus trabalhos você encontra:
 Contatos: 88283260 ou queirozbarbizon@yahoo.com.br














13 de julho de 2010

Sertão- O que é ?!




A palavra Sertão tem origem durante a colonização do Brasil pelos portugueses. Ao saírem do litoral brasileiro e se interiorizarem, perceberam uma grande diferença climática nessa região semi-árida. Por isso a chamavam de "desertão", ocasionado pelo clima quente e seco. Logo, essa denominação foi sendo entendida como "de sertão", ficando apenas a palavra Sertão.
 primeiro processo do país de interiorização ocorreu nessa região, entre os séculos XVI e XVII, com o deslocamento da criação de gado do litoral, devido à pressão exercida pela expansão da lavoura de cana-de-açúcar, que era o principal produto de exportação da economia colonial. A área foi conquistada por povoadores com escassos recursos e o desenvolvimento da pecuária possibilitou o desbravamento nos sertões. Os caminhos de boiadas assim criados permitiram a articulação e o intercâmbio entre o litoral nordestino e o interior, dando origem a diversas cidades. O rio São Francisco constituiu uma via natural de entrada para o Sertão, ampliando a extensão da área envolvida nessas trocas.


5 de junho de 2010

Pela preservação da vida


 Segundo relatório da ONU- Organização das nações Unidas, apenas 2,5% da água existente no mundo é doce e mais de um sexto da população mundial, ou o equivalente a 1,1 bilhão de pessoas, não tem acesso ao fornecimento desta água.E destes  2,5% de água doce existentes no mundo, apenas 0,4% estão disponíveis em rios, lagos e lençois subterrâneos. E estes índices tendem a piorar se algo não for feito com urgência.

Neste meu mergulho por entre as águas do meu amigo "Velho Chico", e ao observar a sua realidade tenho me deparado com algumas informações que muito me preocupa a sobrevivência do rio nestes seus 500 anos de vida, castigado pela exploração e desatenção, tanto dos poderes públicos quanto dos nossos moradores ribeirinhos.A questão se agrava quando consideramos o estado de degradação das matas ciliares em toda a extensão do rio, e o assoreamento de seu leito.
A nossa bacia Franciscana é algo singular e de uma complexidade hídrica enorme, com grande extensão navegável, que beneficia nada mais nada menos que 15 milhões de pessoas, que se não ficarem atentas para mudanças de hábitos e a reeducação ambiental, pode sofrer danos irreparáveis. E já que lutar pela vida do rio é lutar pela nossa vida, juntos somos mais fortes. E algo pode e deve ser feito com urgência para evitar a morte lenta e sofrida da bacia do São Francisco.
Nas últimas décadas, o São Francisco já perdeu três dos 16 afluentes perenes. Os rios Verde Grande, Salitre e Ipanema tornaram-se temporários, reduzindo o volume de água disponível para navegação, irrigação, pesca e geração de energia. Os três rios deixaram de ser permanentes por causa da ação devastadora de siderúrgicas de Minas Gerais e mineradoras baianas – que utilizavam a mata ciliar na produção de carvão. Além disso, há a poluição provocada pelas cidades. Para se ter uma idéia deste absurdo, temos o mau exemplo de  Belo Horizonte, situada na bacia do São Francisco, castiga o principal afluente do Velho Chico, o Rio das Velhas, com o lançamento de esgotos de uma população superior a 4 milhões de habitantes. E muitas cidades ribeirinhas seguem este exemplo já que  muitas cidades ainda não têm sistema de tratamento de esgoto e  indústrias, despejando toda sujeira no seu leito. Agricultores usam e abusam de agrotóxicos nas plantações as margens do rio e esse veneno também é conduzido para as águas do São Francisco.O desmatamento, além de contribuir para secas constantes nas nascentes do São Francisco e de seus afluentes, provoca a queda de barrancas e, conseqüentemente, e o acúmulo de terra no leito. O que resulta na dificuldade de  navegação, pois muitas ilhas já estão formadas em seu percurso.
Faça por você, faça pela sua vida, pela vida de quem dá vida há 15 milhões de habitantes que se beneficiam de forma direta destas águas franciscanas. 

"LUTAR PELA VIDA DO RIO É LUTAR PELA VIDA DO POVO". ( D.Cappio)




4 de junho de 2010

A comunidade ribeirinha de nome Xique- Xique.

O Município de Xique-Xique fica situado na região do Vale do Rio São Francisco, pertencente à micro-região administrativa de Irecê e está localizada há 594 km de Salvador, capital do Estado da Bahia. Com uma população de 47.440 habitantes, distribuídas em 5.671,44 quilômetros quadrados. 
A cidade teve seu surgimento no final do século XVII quando um grupo de garimpeiros da Serra do Assuruá chega a Ilha do Miradouro .Nesta ilha surge o primeiro núcleo populacional da futura cidade de Xique-Xique, tendo os habitantes construído a capela de Nossa Senhora Santa Ana, também conhecida como A Igreja da Ilha do Miradouro. E mais tarde transformou-se na vila Chique-Chique de Bom Jesus.
No ano de 1975 a Vila passa a condição de povoado, sendo subordinada à justiça da Cidade da Bahia e, posteriormente, à jurisdição da Comarca de Jacobina. O município foi criado em 1982 quando passou a chamar-se Xique- Xique, escrita com “X” devido ao cacto de espinhos encontrado em abundância na cidade.
O município foi um importantíssimo centro quando da exploração de metais e pedras preciosas na Chapada Diamantina. Numa época em que as margens nordestinas do São Francisco se dividiam entre os impérios da Casa da Ponte e da Casa da Torre, no final do Século XVII e início do Século XVIII. Neste período, o São Francisco recebia o codinome de Rio dos Currais, pelo grande número de fazendas de gado às suas margens . E eram essas fazendas que supriam de alimentos os devoradores de ouro e diamantes da Chapada. Exatamente próximo a Xique- Xique passava a Estrada de Dona Joana, via de acesso dos mineradores aos alimentos do Velho Chico.
O Rio São Francisco desempenha papel importante para os ribeirinhos locais, já que é fonte de alimento e água, além das terras férteis que suas margens oferecem para a agricultura. A maioria dos homens que vivem nas margens do rio São Francisco trabalha como barqueiros ou remeiros, artesãos, pescadores, agricultores e pecuaristas, sendo estas as principais formas de sustento do homem e da economia local, sendo cada atividade responsável por diferentes formas de geração de renda. Essas atividades são desenvolvidas no município desde o seu surgimento e faz parte da cultura e das tradições locais.
A cidade também sofreu as conseqüências da enchente das águas do São Francisco no ano de 1979, quando as suas águas se elevaram ao nível máximo de 10 metros acima de seu nível normal, devido a construção da Barragem de Sobradinho quando o governo prometia que as enchentes seriam controladas, e atingiu todas as cidades ribeirinhas, inclusive Xique- Xique causando muito sofrimento e prejuízo para um município que ainda se encontrava em construção .
A cheia de 79 cobriu as margens do rio por 90 dias. Quem tinha algo a perder por baixo da água não precisava voltar pra buscar, ela levou tudo, mas também trouxe muito. Muita coragem pra se reconstruir e reerguer.A enchente obrigou a construção de um novo cais de proteção das cheias do rio, ao lado das galerias, pelo lado da cidade, onde funciona o centro de abastecimento comercial. Um lago artificial recebe as águas pluviais que são bombeadas para o rio, protegendo as estruturas da cidade das grandes enchentes. A construção da represa de Sobradinho, e a conseqüente formação do seu lago mudou completamente a vida da pacata Xique-Xique e da sua população.
A economia do município modificou-se bastante, tendo ampliado muito a sua área irrigada, fazendo crescer a produção agrícola e elevando a cidade a maior produtora de cebola e melancia da região de médio São Francisco, e grande produtora de tomate,feijão e mamona .
Atualmente parte do território Xique- Xiquense, conta com a construção de um projeto de irrigação, que promete ser o maior do estado; O Projeto Baixio de Irecê, onde terá 210.000 hectares de ótimos solos irrigados com as águas do São Francisco a partir do bombeamento do lago de Sobradinho, onde reina a esperança de a cidade progredir na sua economia agrícola e se tornar um grande exportador de frutas e verduras .


2 de junho de 2010

Lendas ribeirinhas em áudio


  FOTO do monumento do Nego D'ÁGUA em Juazeiro Ba


http://polianapinheiro18.podOmatic.com/entry/2010-06-02T04_41_06-07_00
Clique no Play e escute a história lendária do Nego d'água e suas travessuras.
Texto e narração Poly Pinheiro.

          .

25 de maio de 2010

Inspirações

Saudades do meu sertão

No meu sertão é assim;
A vida tem mais poesia
O luar tem mais melancolia
O céu tem mais estrelas
E a vida segue em devaneios e rimas
Mais pura e singela
Com vigor e saúde,
Por entre os arbustos e vales
Tudo reflete beleza e virtude
Pela santa plenitude.

No sertão tem virtude
Nas histórias contadas
Nos versos rimados
E nos poetas populares
E de janeiro a janeiro
Tem poesia e violeiro"


23 de maio de 2010

O maior peixe de água doce- SURUBIM e a sua deliciosa moqueca

Pescador exibe sua pescaria

Preparação do peixe para a  moqueca


MOQUECA DE SURUBIM

A moqueca de Surubim te sua origem Afro Brasileira, e é um dos pratos mais típicos da região do São Francisco, a receita se faz com o principal peixe do Velho Chico,o Surubim cortado em postas e regado ao dendê e leite de côco. Em algumas regiões ainda acrescenta- se o camarão fresco, o que dá um ar mais sofisticado ao prato e divesifica o seu sabor. A moqueca acompanha com um pirão feito de farinha de mandioca com caldo retirado da  moqueca, um arroz branco também serve bem.
Vale a pena experimentar!!

FOTOS: Retirada da internet e não tinha os créditos dos seus respectivos fotografos.






19 de maio de 2010

Um momento



Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar”.(GUIMARÃES ROSA, 2001)

Um registro

Uma rua, um lugar, uma oficina,e que fique bem claro, é só de bicicleta.
Coisas que encontramos em poucos lugares do mundo.

18 de maio de 2010

Tipicamente Sertanejo

A maioria dos homens que vivem nas margens do Rio São Francisco trabalha como barqueiros ou remeiros, artesãos, pescadores, agricultores e pecuaristas, sendo estas as principais formas de sustento do homem e da economia local, e cada atividade é  responsável por diferentes formas de geração de renda. Essas atividades são desenvolvidas no Vale há séculos, e fazem parte da cultura e das tradições locais. Desta forma, o sertanejo ribeirinho do Velho Chico vence, dia-a-dia, as adversidades sociais e ambientais e constrói uma cultura rica em crendices populares, buscando amenizar a secura do solo e a quentura do vento através das águas do Velho Chico.


Sobre o Rio São Francisco em sua extensão


Os índios o chamavam de Opará, que em Tupi Guarani quer dizer, Rio-Mar, rio tão grande quanto o mar. E o Velho Chico, é considerado o maior rio 100% brasileiro, ele nasce na Serra da Canastra, em Chapadão do Zagaia, Minas Gerais. E é responsável por disponibilizar 2/3 de água doce para a Região Nordeste, além de ocupar 8% do território brasileiro, estendendo-se também pelos estados de Goiás, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e o Distrito Federal. Com uma extensão de 2.700 quilômetros, o rio atravessa Bahia e Pernambuco no sentido Sul-Norte, e quando modifica seu curso para Leste, chega ao Oceano Atlântico pela divisa entre Alagoas e Sergipe, na cidade de Penedo. São ao todo 504 municípios distribuídos ao longo da Bacia do São Francisco, e cinqüenta e oito por cento do seu curso, corta o coração do sertão nordestino.
Falar sobre o Velho Chico em sua geografia é uma tarefa importante para entender a sua importância entre as comunidades ribeirinhas, e para adquirir noção do seu tamanho e de suas potencialidades. O Vale do São Francisco chega a ser maior do que Portugal e França juntos, equivalendo ao tamanho da Bacia do Colorado, e tem como afluentes o rio Verde Grande, Salitre, Carinhanha e Grande . E está dividido em alto, médio, submédio e baixo São Francisco, a sua bacia ocupa uma área total de 640.000 quilômetros quadrados. Neste contexto, cerca de 14 milhões de pessoas habitam essa área e produzem uma vasta rede de relações com o rio.



12 de maio de 2010

11 de maio de 2010

O Sertanejo é, antes de tudo, UM FORTE!!


...Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto... Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa com um amigo, cai logo - cai é o termo - de cócoras, atravessando largo tempo numa posição de equilíbrio instável, em que todo o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável.

Trecho do Livro :OS SERTÕES, Euclides da Cunha


10 de maio de 2010

As carrancas do São Francisco

As carrancas são manifestações  da arte popular brasileira que desenvolveu-se na região do rio São Francisco, por artistas populares denominados carranqueiros. As  carrancas do São Francisco,é um símbolo típico desta cultura  franciscana e é um tipo de arte única no mundo, feita pelos entalhadores atendendo aos sentimentos e fantasias dos barqueiros que precisam espantar os seres míticos e lendários que permeiam o imaginário lúdico dos ribeirinhos e para a criação de uma identidade própria para as embarcações que navegavam pelo rio São Francisco, artistas esculpiam enfeites de proa. Esses elementos de decoração sempre representavam uma escultura de cabeça e pescoço de alguma figura, que misturava traços humanos com traços animais e apresentava uma expressão de figura mitológica indeterminada e de grande impacto, dando origem à arte das carrancas.
Hoje, essa arte popularizou-se. Podemos encontrar as carrancas não apenas nas proas das embarcações do São Francisco, como simples enfeite, mas tornou-se um disputado elemento de decoração e parte do acervo de museus nacionais e estrangeiros, sendo suas peças de grande valor de comercialização para turistas.
Atualmente, a Carranca,esse personagem de olhos vermelhos e dentes grandes não é apenas uma crendice, mas ganhou grande circulação comercial.Quanto ao aspecto econômico pode-se dizer que o surgimento dessas figuras horripilantes de aspecto grosseiro, talhadas em madeira, tenha sido um dos mais relevantes motivos para a emancipação comercial, política e social da região do Médio São Francisco. As carrancas dos barcos do Vale do São Francisco hoje perderam sua função inicial de proteção das embarcações contra perigos concretos e imaginados do percurso do rio por uma função de peça de comércio artesanal .

28 de abril de 2010

Serra de Gentio do Ouro/ no site Mineiro Serra do Espinhaço

FOTO:POLY PINHEIRO

Saiu em "Os Chicos"

Prtinsc do site oficial dos Chicos/fotografia de Poly Pinheiro


 Xique-Xique recentemente recebeu a visita dos mineiros,o jornalista Gustavo Nolasco e o fotógrafo Leo Drumond,na documentação da cultura oral das comunidades do rio São Francisco,em busca de personagens que compõe esse cenário franciscano.Eles passaram por Xique-Xique,em busca dos "Chicos" e "Chicas" que fazem desse rio, um mar de boas e apaixonantes histórias.que envolve lendas folcloricas,fonte geradora de renda,cultura singular e pessoas das mais diversas raças e credos.
O Chico Xique-Xiquense,escolhido para esse documento,foi alguém que eu conheci e tive a satisfação de indicar como uma fonte singular de boas histórias a ser revelada,Sr.Chico de Né.(que é do povoado de Marreca velha,mas mora atualmente na sede do município).
Agradecemos aos Chicos Mineiros pela homenagem aos nossos ribeirinhos,e pela divulgação do nosso trabalho em seu site http://www.oschicos.com.br/blog/?p=611.

Desejamos lhes bom trabalho e boa sorte nessa magnifica caminhada pela universo franciscano.

24 de abril de 2010

Saiu no site Mineiro

Cidade de Xique-Xique,foto Poly Pinheiro. http://www.serradoespinhaco.com.br/xique-xique

22 de abril de 2010

Os índios Trucá do Vale do São Francisco/e a lenda da origem do velho Chico

"Acredita-se que há muito tempo atrás, no fundo no coração da Serra da Canastra em Minas Gerais,Brasil, existia uma jovem índia muito bonita chamada Iati. Naquele tempo de guerra entre as tribos do inteRior, o amante de Iati foi chamado para defender o território ocupado por seu povo contra os invasores. Mas, os invasores eram muitos, com grandes poderes e munição, e os guerreiros índios pereceram nas entranhas profundas da floresta.Iati, triste e só, continuou chorado abundantemente até os últimos dias de sua vida. Suas lágrima desesperadas formaram a cachoeira cujas águas seguem os passos dos guerreiros, formando o grande mar de Rio, conhecidos pelos índios de então como Opará, e assim hoje se conhece a Lenda do Rio de São Francisco formado pelas lágrimas de Iati.".
(Foto retirada da internet)


Os Truká são indígenas, vivendo nas ilhas próximas a Cabrobó. Além dos Truká, existem 17 outras tribos indígenas vivendo ao longo do Rio São Francisco.

21 de abril de 2010

Um poeta Xique-Xiquense homenageia os 50 anos de Brasília

Quem é ele?


Cassemiro Machado Neto, 66 anos de idade,professor de magistério há 43 anos ,escritor com cinco livros publicados e outros seis livros aguardam publicação.Seu nome consta no 'Dicionário de Autores Baianos',é  membro da Academia de Letras de Xique-Xique. O setor de Cultura da Bahia o colocou na coleção de 15 volumes sobre Cultura Baiana, publicado há cinco anos, como um dos representantes da cultura  Xique-Xiquense. O Campus da Univesridade do Estado da Bahia - UNEB, em Xique-Xique, colocou seu nome em sua Biblioteca setorial.

Memórias
Seu livro 'Ecos Esparsos', com 45 poemetos, todos escritos em Brasília, entre 1976 e 1979, publicado na cidade de Xique-Xique, sertão da Bahia, para onde se mudou em agosto de 1979, forçado por problemas familiares, teve apresentação do jornalista, poeta e escritor Bruno Matarazzo Gargiulo. A segunda edição desse trabalho foi publicada em setembro de 1998, também em Xique-Xique. Está esgotado desde o ano 2000. Depois publicou 'Um Sorriso Novo', quarenta poemetos.Escreveu 'Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique' - que é a a História de Xique-Xique Esse livro tem 316 páginas e 180 fotos preto-e-branco e coloridas. Edição esgotada desde 2000.
Em abril de 2000 editou 'Memória Viva de Chique-Chique', com 180 perfis biográficos de personalidades que 'fizeram' a História de Xique-Xique.Em novembro de 2008 lançou o quinto livro, 'Geração Letras', espécie de documento registrando a formatura da primeira turma de licenciandos em Letras do Campus local da Universidade do Estado da Bahia - UNEB.
Atualmente está em vias de preparação final a segunda edição do terceiro livro (Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique), agora com 886 páginas e mais de 300 fotos históricas.O segundo e o terceiro volumes de Memória Viva de Chique-Chique se acham em ponto de publicação, somando mais de 600 perfis biográficos dos construtores' da História de Xique-Xique.Cassemiro Neto,conhecido como  "professor Cassemiro",ainda ministra aulas no sistema estadual de educação da Bahia, onde se encontra prestes a se  aposentar.

 SONHOS
Alguns sonhos que almeja transformar em realidade: voltar a residir em Brasília; fazer o curso de Direito e de Jornalismo, apesar dos seus 66 anos de idade.

Desabafo
(...)"Vejo todos os dias o Jornal de Brasília, como fazia todas as manhãs quando trabalhava na CODEVASF - que se situava na época no Setor Bancário Norte (próximo do Teatro Nacional) e descia do ônibus de Taguatinga Sul, onde morei tantos anos; ao descer da bela (era bela) Estação Rodoviária do Plano Piloto, diirigia-me à banca de jornais e comprava meu exemplar desse jornal (filho de O Popular, de Goiânia, da família Câmara) e saía lendo e completava a leitura na hora do almoço, todos os dais da semana. Sábado e domingo comprava-o em Taguatinga.
Desculpem-me (sou baiano) por escrever demais!Parabéns ao Jornal de Brasília pela iniciativa! Parabéns a minha maravilhosa e doce Brasília - da qual estou exilado involuntariamente há mais de 30 anos, mas que desejo sair desta vida daqui a muitos anos, aí nesta cidade que me encanta!",(Cassemiro Machado Neto).

Poema: CIDADE AZUL COM HORIZONTE DE ANIL


Cassimiro Machado Neto.
23.08.1976.


Brasília cidade menina, filha eterna do Planalto;
Hoje o mundo a te se inclina e te promove bem alto!
Brasília cidade criança, de alma esplendorosa;
Tu és perene festança, cada dia és mais formosa!

Brasília cidade céu, cantada em prosa e verso;
De teu herói mausoléu, lição prá todo o Universo!
Brasília cidade ternura, no coração do país;
Tens espaço com fartura, para crescer meu Brasil!

Brasília cidade adulta, com um milhão de pessoas;
Hoje teu pai sepultas, enquanto teus sinos soas!
Brasília veraz paraíso, para quem gosta de ti;
Só quem perdeu o juízo, pensa em mudar daqui!

Brasília cidade órfã, JK teu pai morreu;
Ele que te abriu a porta ao progresso que hoje é teu!
Brasília cidade bela, rainha de um povo herói;
Sofres hoje a procela desta hora que te dói!

Brasília cidade azul com horizonte de anil;
Beleza de norte a sul, no teu outono de abril!
Brasília cidade-amor, de povo alegre e feliz;
Tua pureza é fervor, tua beleza é quem diz!

Brasília cidade eterna, filha três de JK;
Tua glória é superna, no Globo não há rival
Brasília hospitaleira, és a mais bela cidade;
Em tudo tu és primeira, és do Brasil vaidade!

Brasília cidade heróica, deste país varonil;
Marcas uma era estóica no progresso do Brasil!
Brasília cidade turística de modelar escultura
Arrojada obra artística, de rara arquitetura!

 Brasília cidade rainha em um pais de esplendor
 Tu és a cidade minha, tu és capital do amor!
 Brasília, um dia te acordo, com olhos lindos de amor,
 Com o Brasil transformado em peça de eterno valor!

POEMA PUBLICADO,no Jornal de Brasília no dia 21 de abril,cinquentenário da capital federal.

17 de abril de 2010

O sertanejo


O sertão é do tamanho do mundo.
Sertão é dentro da gente.
 O sertão é sem lugar. ..

O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena.
O sertão é uma espera enorme. Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. "

João Guimarães Rosa,em Pilulas do grande sertão